Conta-se que certa vez um homem fez a seguinte pergunta para a Irmã Dulce:
“Nossa, como você consegue dar banho neste leproso? Eu não faria isso nem por um milhão de dólares!”.
Ao que ela respondeu:
“Nem eu. Eu faço por amor.”
Se isso for mesmo verdade, a cavalgadura podia ter dormido sem essa! Isso lá era pergunta para fazer para Irmã Dulce? Mas, não vou falar sobre irmã Dulce porque é completamente desnecessário! Essa mulher dispensa os comentários de uma pobre mortal como eu.
O que eu quero é falar sobre “fazer por amor”. A questão é muito simples: falar é fácil. A teoria é linda. Utilizar esse argumento na hora da raiva, no meio de uma discussão ou para justificar um comportamento, um atitude, uma falha, o que quer que seja, é muito fácil. Mas, até que ponto nós fazemos algo por amor sem pensar em receber algo em troca? Até que ponto nós praticamos o tão falado amor incondicional?
Por exemplo, praticar o bem, fazer uma boa ação e depois postar lá na sua página da rede social invalida o ato. Fazer cortesia com o chapéu alheio também não conta. Quantas vezes você já disse a frase “eu fiz isso por amor” ou “eu faço por amor”? E quantas vezes você já ouviu essa frase de alguém? Mãe que repete isso o tempo todo para o filho e vice-versa. São inúmeras as situações. Só que mãe, pai, filhos, amigos (verdadeiros), a gente dá um belo desconto, releva, perdoa, nem processa, não é?
Agora jogar isso na cara do outro quando estamos naquele momento “lavanderia” da discussão automaticamente invalida o ato de amor incondicional! Nessa hora não tem perdão! Não há reza nem santo que te salve! E nesse momento, uma simples frase que parecia ser a sua salvação, que te colocaria no posto de “metade boa” da laranja que vocês dois formavam (metade de laranja é podre, não gosto da expressão, só que não veio outra), acaba por te colocar na categoria dos egoístas, dos desesperados, dos loucos passionais! É nessa hora que a onça bebe água, o caldo engrossa, e que a porca torce o rabo, a cobra fuma, o bicho pega e danou-se foi tudo!
Tudo que se fez foi “por amor”, sem “nunca pedir nada em troca”, mas “quem ama não faz isso”, ou aquilo. Quem ama não cobra. Será? Tem uns que cobram e ainda ficam com o troco. Mas... nesse caso... Talvez não seja amor...



