domingo, 18 de dezembro de 2011

Sarará Crioulo

                                      

Outro dia eu contei para vocês sobre uma expressão usada com freqüência pela minha mamis querida ao se referir a alguém com falta de sorte: a pessoa “cagada de arara”!

Foi exatamente o que ela me disse hoje quando contei a ela minha saga com a juba nas duas últimas semanas! Gentemmmmm um show de horror!

Eu já tive minha juba cortada com navalha por duas vezes e peguei trauma! Meu cabelo é fino e após várias navalhadas ele vira palha! Mesmo! Sem exageros! Bom, no penúltimo sábado resolvi testar uma nova cabeleireira. Para resumir um pouco a novela: além de usar a navalha, a moça ainda usou a tal de tesoura desfiadeira no meu cabelinho. Sabem o Edward Scissorhands? Igual. Era cabelo voando, literalmente, para tudo que era lado! E o pânico tomando conta de mim! A vontade era sair correndo daquela cadeira, mas aí eu pensava: “depois quem é que vai consertar essa P@#$% ?? Melhor esperar para depois passar máquina zero!”

Depois que o "Katrina" deixou minha cabeça ela resolveu secar com o difusor! Passou uns produtos mega bons e mandou ver! Ai eu relaxei! Estava com um look chique, bonito, de quem realmente foi a um haistylist cuidar das madeixas. Ai que alívio! Fui para casa porque mais tarde iria encontrar a turma!

Isso foi quando mesmo? No sábado. Beleza. O domingo já começou com uma amostra do que seria a semana. Meu sobrinho passa a mão no meu cabelo e com apenas uma palavra e um sorriso sarcástico, define o que achou no novo penteado: “pixaim!” Pensei: “vai passar, é apenas uma criança”! O que logo me fez lembrar que elas são extremamente sinceras. Ferrou. Bom, depois dessa, resolvi passar o resto do domingo em casa. E a juba lá, firme (e bota firme nisso) e forte.

A segunda-feira por si já é uma b@#!$: meu rodízio. Mas, já que era para ferrar algum dia da semana, a gente escolhe logo a placa do carro e ferra de vez com a segunda. Acordo correndo e nada de lavar a juba. Não vai dar tempo de secar e eu não vou correr o risco de sair de casa parecendo um personagem. E, para minha sorte, o cabelo continua lá: firme e forte! Fui. Olhares um tanto estranhos no trabalho. Mas tudo bem. Só tem homens no escritório e homens não entendem nada de “fashion hair”.

Terça chegou: não tinha jeito. Tinha que lavar a juba. Gente, o que era aquilo? Foi molhar e o cabelo sumir. Tentei manter a calma. Hora de secar: meudesdocéu! (assim mesmo tudo junto). Palha. Um lado repicado e o outro reto. Era como se o apocalipse estivesse se aproximando, o fim do mundo. E o resto da semana transcorreu na mais imperfeita ordem. Esquivando-me de olhares que pareciam dizer: “minha filha, o que foi que fizeram com você?!”

Mas, nem tudo estava perdido. A maga da navalha havia dito que o corte possuía garantia: lá vou eu no sábado seguinte solicitar uma reparação. Ufa. Nem tudo estava perdido. Foi colocar os olhos em mim e ela já sabia que precisava ser ajustado, digamos assim. Bom, fim da história. Seja o que for que aconteça agora, nada mais de tesoura, e eu terei que suportar por pelos menos dois meses até crescer algo aqui.

Na terça-feira era dia de retocar a cor do infeliz. Bom, problema nenhum já que eu compro a tintura que eu gosto e a outra cabeleireira só precisa aplicar. Mas, como eu saí correndo, esqueci em casa aquela meleca branca que mistura na tintura, e levei só a caixinha com a dita cuja. Problema nenhum também porque todo cabeleireiro tem essa meleca.

Fui. Já na lavagem a moça pergunta: ” você resolveu clarear o cabelo?” Pensei: “ou ela está louca ou eu comprei a tinta errada! PQP! De novo não!” Vamos lá, seca essa P&¨%$#!

“Gê, você misturou a meleca branca na tintura?” E ela responde que sim.

“Deixe-me ver a caixa, você não trocou isso, Gê?” E ela responde que não!

Conclusão: meu cabelo ficou sim no tom chocolate. Chocolate ao leite! PQP a minha sogra! Não é possível. Que cor é essa?

Chegando em casa, “ao leite”, olho a meleca branca que eu esqueci de levar, e que é da mesma marca da tintura, e descubro que o volume da meleca é diferente! Volume? Essa P(*&¨% não deveria ser tudo igual? Meleca é meleca e essa merda ferrou a cor da tinta! Ok. Não vou mais me estressar. Compro outra e retoco essa .... essa cor dos infernos.

Toca o interfone. É o porteiro Zé dizendo que tinha um envelope para mim na portaria.

“Zé, por que você não colocou embaixo da porta junto com os outros?”

“É que tem uma coisa dentro e não passou embaixo da porta.”

Só faltava... o que será que é? Antraz? Carta bomba? Um pacote gordo de multas de trânsito?

E lá estava ele, dentro de um envelope, frio... distante... cruel... e junto com ele a chave do apartamento sendo devolvida. Assim... de repente...sem nenhuma explicação aceitável...sem nenhuma compaixão. Curto e grosso o bilhete dizia: “não venho mais. Aqui está sua chave. Assinado: minha (agora EX) faxineira.

Eu devo ter jogado pedra na cruz. Eu fiz canga do Santo Sudário! Só pode ser.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Onde está sua mala?


PARE DE CARREGAR A MALA DOS OUTROS!
Por Marlene Damico Lamarco


"Você acredita que carrega malas alheias? Vamos fazer um exercício?

Como você reage quando seu filho não quer fazer a lição? Ou quando alguém não consegue arrumar a própria mala para a viagem de férias, perde a hora do trabalho com frequência, gasta mais do que ganha… e muitas coisinhas mais que vão fazendo você correr em desvario para tapar buracos que não criou e evitar problemas que não afetam sua vida diretamente?

Não afetam a sua vida, mas afetam a vida de pessoas queridas, então, você sai correndo e pega todas as malas que estão jogadas pelo caminho e as coloca no lombo (lombo aqui cai muito bem, fala a verdade) e a sua mala, que é a única que você tem a obrigação de carregar, fica lá, num canto qualquer da estação.

Repetindo, a sua mala, que é a única que você tem obrigação de carregar, fica lá jogada na estação!

Temos uma jornada e um propósito aqui neste planeta e quando perdemos o foco, passamos a executar os propósitos alheios.

A estrada é longa e o caminho muitas vezes nos esgota, pois o peso da carga que nós nos atribuímos não é proporcional à nossa capacidade, à nossa resistência e o esgotamento aparece de repente.

Esse é o primeiro toque que a vida nos dá, pois, quando o investimento não é proporcional ao retorno, ou seja, quando damos muito mais do que recebemos na vida, nos relacionamentos humanos ou profissionais, é porque certamente estamos carregando pesos desnecessários e inúteis.

Quando olhamos para um novo dia como se ele fosse mais um objetivo a cumprir, chegou a hora de parar para rever o que estamos fazendo com o nosso precioso tempo. O peso e o cansaço nos tornam insensíveis à beleza da vida e acabamos racionalizando o que deveria ser sacralizado.

É o peso da mala que nos deixa assim empedernido.

Quanto ela pesa?

Quanto sofrimento carregamos inutilmente, mágoa, preocupação, controle, ansiedade, excesso de zelo, tudo o que exaure a nossa energia vital.

E o medo, o que ele faz com a gente e quanta coisa ele cria que muitas vezes só existe dentro da nossa cabeça?

Sabe que às vezes temos tanto medo de olhar para a própria vida que preferimos tomar conta da vida dos filhos, do marido, do pai, da mãe… e a nossa mala fica na estação…

O momento é esse, vamos identificar essa bagagem: ela é sua? Ótimo, então é hora de começar uma grande limpeza para jogar fora o lixo que não interessa e caminhar mais leve.

Agora, se o excesso de peso que você carrega vem de cargas alheias, chegou a hora de corajosamente devolvê-las aos interessados.

Não se intimide, tampouco fique com a consciência pesada por achar que a pessoa vai sucumbir ao fardo excessivo. Ao contrário, nesse momento você estará dando a ela a oportunidade de aprender a carregar a própria mala.

A vida assim compartilhada fica muito mais suave, pois os relacionamentos com bases mais justas e equânimes acabam se tornando mais amorosos, sem cobranças e a liberdade abre um grande espaço para a cumplicidade e o afeto.

Onde está a sua mala?"

E a você acabou de ler esse texto maravilhoso eu desejo uma ótima viagem pela vida e que sua mala esteja mais leve a cada dia!

sábado, 26 de novembro de 2011

Trair e coçar....



“Conversa de salão” (de beleza, claro) era o nome do programa de TV e o assunto sendo euforicamente discutido era: quem trai mais? O feio ou o bonito? Lógico que eu parei de zapear no instante em que ouvi aquilo e fiquei escutando as mais variadas opiniões da mulherada, que literalmente se descabelava falando do assunto.

Algumas diziam que era obvio que o bonito traia mais! Sim, porque a beleza facilitava tudo! O bonito quando adentra qualquer recinto imediatamente chama a atenção pela sua beleza, sem precisar fazer o menor esforço. O bonito é muito mais visto, e mais notado, mais assediado. Então, claro, com a vida fácil assim, estava na cara que os bonitões são os que mais galhos distribuem por aí.

Mas tinha também a turma que era a favor de que os feiosos são os que mais largam chapéu de toro vida afora. E a explicação era bem simples: o “feiutcho” precisa chamar a atenção de alguma forma quando chega. E o que é que os filhotes de cruz credo fazem? São simpáticos, estão sempre contando piadas, são prestativos, galanteadores, a postos para agradar, são brincalhões, e dão um duro danado para se fazerem notar. Com isso, ganham no papo e as oportunidades acabam pipocando no colo dos feiosos.

Só que no meio das descabeladas havia uma “conformada” de plantão que resolveu dissertar sobre outro tipo que, segundo ela, é mais traíra. De acordo com a moça, o marido dela era o cão chupando manga e não sabia contar uma piada se quer; porém, era o maior pé de valsa! E como o cara dançava muito chamava a atenção da mulherada, e se ela desse mole: batata! Ou melhor, galho!

Sabe de uma coisa? Feio, bonita, feia, bonito, dançarino, comediante, gostosona, bofe magia, não importa! Não importa o sexo, nem a opção sexual. Não importa o tipo físico, nem o padrão de beleza. Não importa o grau de simpatia e nem o dom natural para fazer stand-up comedy.

Trair é uma questão de escolha, de opção. As oportunidades sempre irão surgir para qualquer um de nós, feios ou bonitos. A escolha é que te incluirá na estatística! A opção de trair ou não diante de uma situação propícia para isso é única e exclusivamente sua! E por isso, também acho que não cabem desculpas do tipo “mas eu sou homem”, “foi só sexo”, “eu tentei resistir”, “estava lá, mas pensava em você o tempo todo”, “eu me arrependi”, entre tantas, e ainda tem aquela famosa: “eu não queria ter feito isso”! Essa é podre! Queria sim porque escolheu fazer!

E já que cada um deve ser responsável pelas suas escolhas e pelas conseqüências dessas escolhas, só resta saber se você vai conseguir lidar com elas!

E qual a escolha certa? Cada cabeça, uma sentença!